A população da Região Metropolitana cresce de forma expressiva e, a cada dia, depende mais do Distrito Federal para existir. Estes habitantes passaram de 180 mil em 1980 para quase um milhão. Hoje, a cidades abrigam não só grande parte da mão de obra da capital federal, como parcela considerável dos consumidores do DF. “A população, em parte, trabalha aqui (no DF) e utiliza também os equipamentos públicos devido à proximidade”, destaca Júlio Miragaya, presidente da Companhia de Planejamento do DF (Codeplan).

De acordo com a companhia, na região são 370 mil ocupados, entretanto 60% se deslocam para o Distrito Federal diariamente para trabalhar. A doméstica Maria da Conceição do Nascimento, 54 anos, é um exemplo. Ela trabalha há dez anos em Brasília, mas mora em Santo Antônio do Descoberto (GO). Maria reclama de nunca ter encontrado um emprego no lugar em que vive. “Tenho que acordar às 6h20 para conseguir chegar ao serviço às 8h. Isto porque além dos engarrafamentos, falta transporte público de qualidade”, conta. A sensação da moradora é de viver em lugar abandonado: “É uma terra sem dono. Eu só moro lá porque o aluguel é mais barato do que no DF”, avalia. Ela gasta R$ 240 com moradia.

Desemprego - Nem todos conseguem uma chance no mercado, mesmo que no DF. A taxa de desemprego na Região Metropolitana é de 18%, ou seja, 80 mil desempregados. Enquanto no DF, o índice é de 12%. Cidades como Luziânia (GO) e Formosa (GO) começam a melhorar as perspectivas, mas outras localidades como Pedregal, pertencente a Novo Gama (GO), demonstra fragilidade na geração de emprego.

Cleide Borges, 40 anos, empregada doméstica, está insatisfeita com a falta de emprego e com a saúde pública. “Eu moro há dez anos no Pedregal, tenho três filhos e sempre tenho que recorrer ao Hospital do Gama”, relata. Ela confessa que se tivesse oportunidade de trabalhar no mesmo local onde mora, não hesitaria em aceitar. “Imagine se eu não ia aceitar poder acordar mais tarde e não precisar usar ônibus... Seria um sonho”, comenta Cleide.

O impressionante crescimento de 455% no número de habitantes da Região Metropolitana do Distrito Federal, em 32 anos, está fazendo com que os governos Federal, do DF e de Goiás pensem em saídas para tentar solucionar problemas decorrentes da falta de emprego e equipamentos públicos de qualidade para os moradores desta localidade. “Sabemos que este é um problema de investimento. Mas não é de responsabilidade de um governo só, mas de todos”, aponta Júlio Miragaya. Com essa perspectiva, o órgão promove a partir de segunda, em parceria com a Casa Civil do DF, um seminário com o objetivo de discutir perspectivas para o desenvolvimento da região.

Clica Brasília

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