O governo brasileiro decidiu pela compra de cinco baterias antiaéreas da Rússia - três do modelo Pantsir S1, de médio alcance, e duas Igla-S, com raio de ação curto. Apesar da assinatura de uma carta de intenções durante a reunião da presidente Dilma Rousseff e do premiê russo Dmitri Medvedev, na quarta-feira (20) em Brasília, o negócio já era definido como certo, e o documento, 'só uma etapa da liturgia brasileira', segundo um especialista que acompanhou todo o encontro.

O valor do pacote é estimado, na Europa, em US$ 1 bilhão. Cada bateria do sistema Pantsir, é composta por 6 carretas lançadoras, mais veículos de apoio: carro de comando e controle, radar secundário, remuniciadores e unidade meteorológica.

O radar de detecção localiza o alvo - a rigor, 10 deles por minuto - em uma área de 36,5 quilômetros. O tempo de reação é estimado em 20 segundos. O Ministério da Defesa está negociando três baterias e os suprimentos. Cada disparador é carregado com 12 mísseis 57E6 e leva, ainda, dois canhões de 30mm de tiro rápido - mais acessórios digitais que permitem localizar e abater alvos no limite entre 15 km e 20 km, a 15 mil metros de altitude. Segundo o principal funcionário brasileiro no processo, o general José Carlos de Nardi, chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, 'agora começa a discussão que resultará na redução do preço de aquisição'. A análise do contrato deve demorar cerca de três meses a quatro meses. As primeiras entregas, 18 meses após a assinatura definitiva. 'Esperamos contar com os sistemas para os Jogos Olímpicos de 2016', acredita o general De Nardi.

O procedimento é linear e pode fazer a cotação final cair em 30%. Certos componentes do Pantsir, devem ser substituídos por equivalentes feitos no Brasil. As carretas blindadas, por exemplo, seriam trocadas pelo eficiente 6x6 da Avibrás, de São José dos Campos, que utiliza o tipo no conjunto Astros-2, de foguetes livres. O radar de campo também permite a troca pelo Saber M200, de 200 km de raio de ação. Produzido pela OrbSat, subsidiária da Embraer Defesa e Segurança, rastreia até 40 objetivos simultaneamente, priorizando a reação pelo grau de ameaça.

O acerto da segunda parte dessa transação é mais simples. Envolve duas baterias do míssil Igla, versão S/9K38, a mais recente da arma antiaérea leve disparada do ombro de um soldado. As Forças nacionais utilizam modelos de gerações anteriores. O tipo tem alcance de 6 km, é mais pesado que as séries anteriores, usa sensor de localização de alvos de eficiência expandida e é mais resistente à interferência eletrônica de despistamento.

Os acordos preveem a formação de uma joint venture para fabricar o Igla-S no País. A tarefa seria entregue a uma espécie de consórcio formado pelas principais empresas do setor, como a Odebrecht Defesa e Tecnologia, Embraer Defesa e Segurança, Avibrás, Mectron e Logitech.

Distribuição

Cada uma das Forças receberá uma bateria Pantsir. A do Exército ficará sob controle do 11.º Grupo de Artilharia Antiaérea. A da Marinha vai para os Fuzileiros Navais, e a Aeronáutica, agrega o seu ao Grupo de Artilharia Antiaérea de Autodefesa.

Toda a operação estará coberta por cláusulas rígidas de transferência de tecnologia. O preço final depende dos componentes que serão escolhidos. A cotação sairá entre maio e junho. Todavia, alguns avanços já foram feitos na reunião expandida da tarde de ontem. No Ministério da Fazenda, com a participação direta do ministro Guido Mantega, foi estabelecido que o pagamento inicial, da ordem de 40% sobre o total apurado, vai sofrer significativa diminuição. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo/Agência Brasil.

pessoas comentaram

Postagem Anterior Próxima Postagem