O site Entorno Urgente entrevistou Aguimar Jesuíno, pré-candidato ao Senado pelo Estado de Goiás. Aguimar é Procurador Federal de carreira e um especialista quando se fala da Cultura de Goiás
O site Entorno Urgente entrevistou Aguimar Jesuíno, pré-candidato ao Senado pelo Estado de Goiás. Aguimar é Procurador Federal de carreira e um especialista quando se fala da Cultura de Goiás.

Biografia


Aguimar Jesuíno, 54 anos, casado pai de três filhos, nasceu na cidade de Iporá-Go. Morou na zona rural durante o primeiro ano de vida. Após viveu e estudou na referida cidade, até os 16 anos. Cursou o ensino básico e fundamentou em escolas públicas. O segundo grau em Goiânia, em curso de dois anos em escola particular. Ingressou na Faculdade de Direito da Universidade Federal de Goiás – UFG em 1979, período em que iniciou sua participação na vida política. Foi um dos líderes da reabertura do Centro Acadêmico XI de Maio, que havia sido fechado pelo regime militar (o presidiu no período de 1980/1981) e lutou pela reabertura da União Nacional dos Estudantes – UNE. Participou das lutas pela democracia, anistia e diretas já. Formou-se em 1983 e cursou Pós-Graduação, também pela UFG, em Direito Agrário e Direito Civil, e possui MBA em Gestão Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas–FGV.

Aguimar é Procurador Federal de carreira, concursado, desde 1992. No momento atua no Núcleo de Ações Prioritárias da Procuradoria Federal no Estado de Goiás, órgão vinculado à Advocacia Geral da União – AGU, com a atribuição de propor ações de improbidade administrativa, ação civil pública e ações regressivas. Durante a carreira no serviço público federal ocupou as funções de procurador-chefe da Procuradoria do INSS em Goiás, cumulando-a com o cargo de gerente substituto do INSS (2001/2002), no mesmo período.

Foi um dos fundadores do Instituto Goiano de Direito do Trabalho (IGT), sendo seu Diretor Jurídico e Vice-Presidente entre os anos de 1991 e 1993. Atuante na militância classista, foi conselheiro da Ordem dos Advogados do Brasil – Secção Goiás (OAB-GO) entre os anos de 1995 e 1997, período em que exerceu o cargo de Secretário-Geral da Ordem. Também exerceu advocacia cível, trabalhista e sindical, prestando serviços de assessoria jurídica aos sindicados SINDIGOIÂNIA, SINDIPÚBLICO e STIUEG.

Aguimar Jesuíno, além da carreira pública e de ser Porta Voz da Rede Sustentabilidade, dedica-se às atividades agropecuárias desde a adolescência. É produtor rural e filho de produtores, com intensa ligação com o meio rural.

Entrevista


Entorno: O que te despertou para ser pré-candidato ao Senado pelo Estado de Goiás?
A atividade político-partidária passa por desgastes enormes, uma intensa rejeição por parte da população, que nivela todos por baixo, motivada pelos desvios de recursos públicos, má gestão, descompromisso com as políticas públicas, notadamente de segurança, saúde e educação. No entanto, não vejo saída para os males enfrentados pelas cidades e estados; pelo Brasil e seu povo, a não ser pela política. Não desejo a violência para operar as mudanças necessárias. Então a política é o caminho. Se os políticos estão ruins, vamos trocá-los, por pessoas mais próximas e mais comprometidas com a população. O convite para ser candidato a Senador (talvez pela experiência como advogado, procurador e produtor rural), foi formulado e o aceitei, embora nunca tivesse disputado uma eleição partidária. Meu compromisso é liquidar com essa velha política do toma lá dá cá. Acabar com esse balcão de negócios. As cidades, Goiás e o Brasil não podem continuar sendo administrados com loteamento de cargos, atendendo interesses partidários, sem critérios técnicos, e com muito desperdício de recursos públicos. Eles desviam bilhões, que fazem falta à saúde e educação.

Entorno: Como então acabar com essa velha política? Com esse balcão de negócios?
Várias medidas precisam ser tomadas. Acabar coma reeleição para o executivo é uma delas. Estamos propondo mandato de 5 anos, com eleições concomitantes na esfera municipal, estadual e federal. Os administradores já tomam posse pensando na reeleição, aí eles gastam os recursos públicos para alcançá-la, pouco se importando com as obras e programas que a população entenda como necessários. Além da reeleição há que se limitar as doações de campanha, para que grandes empresas não se apropriem dos mandatos, ou até mesmo proibir as doações por parte de pessoas jurídicas. Proponho que vereadores, deputados e senadores tenham uma reeleição apenas, para que aja renovação na política. A participação dos candidatos em debates promovidos pelos meios de comunicação deve ser obrigatória, para que a população possa conhecer suas ideias e propósitos. As doações devem ser divulgadas na internet, em tempo real, para que o eleitor saiba quem está financiando o candidato. O voto obrigatório precisa acabar, pois o voto é um direito e não uma obrigação. Deve votar quem quiser, quem for convencido pelo candidato a fazê-lo. Os Ministérios e Secretárias devem ser reduzidos drasticamente, o mesmo deve ser feito com os cargos comissionados. O corte de Ministérios, no âmbito federal, e de Secretarias nos Estados e Municípios, bem como de cargos comissionados, todos nomeados politicamente, propiciará vultosas economias que poderão ser alocadas para a segurança, saúde, educação e moradia. Os cargos de confiança no serviço público devem ser preenchidos por critérios técnicos e de merecimento, prioritariamente por servidores públicos concursados. Por último, o povo deve sempre ser chamada para opinar e participar, seja através de discussões pela internet ou através de plebiscitos.

Entorno: Como se daria a participação popular pela internet?
A internet é hoje um meio eficaz para se fazer negócios, comprar e pagar, sendo também uma ferramenta poderosíssima para fazer debates, consultas populares e até mesmo eleições. O sistema financeiro movimenta todos os dias dezenas de bilhões de dólares pela internet, comprando e vendendo ações em todo o mundo. Por que então não discutirmos projetos governamentais pela internet? Ou até mesmos realizar as eleições pela internet? Com certeza a população participaria e diminuiriam as abstenções. A Islândia está redigindo uma Constituição com debates com a população pela internet.

Entorno: O cenário político de Goiás ainda continua incerto, quais atributos um Senador da República deve ter?
O cenário em Goiás caminha para definições. O PSDB, PMDB e PT possuem candidatos próprios, o mesmo acontece com o PSB e partidos aliados. Com relação ao senado, pelo que vejo os partidos estão ainda discutindo nomes. Na nossa coligação o meu nome é o único apresentado. A convenção ocorrerá no próximo dia 14, onde todos os nomes serão definidos. Para ser Senador da República, além da idade mínima de 35 anos e plenitude dos direitos políticos, precisamos de pessoas que defendam o Estado e que possa contribuir com as reformas que o Brasil precisa. Os senadores de Goiás pouco interveem nos acontecimentos nacionais. Os deputados representam a população e os senadores os Estados, sendo três para cada ente estadual. Defender Goiás, a implementação efetiva da Superintendência de Desenvolvimento do Centro-Oeste, SUDECO e a instalação e capitalização do já aprovado Banco de Desenvolvimento do Centro-Oeste é uma obrigação. Goiás e o Centro-Oeste precisam de políticas públicas que garantam seu desenvolvimento sustentável, com a construção da infraestrutura adequada, composta por ferrovias, hidrovias, geração e distribuição de energias limpas (hidroelétrica, solar e biomassa), além de saúde, educação e segurança de alto padrão. Defender tais políticas é uma obrigação do senador.

Entorno: Analisando vários encontros e seminários com Eduardo Campos e Marina Silva, acredita que a chapa poderá superar os desafios e alcançar a presidência da República?
Acredito. O Governo atual enfrenta muitos desgastes éticos e de gestão. O Governo passado, do PSDB e PFL/DEM apesar de ter alcançado a estabilidade monetária, não conseguiu fazer investimentos em infraestrutura, programas sociais, saúde e educação. Além ter colaborado muito com o desmonte do Estado brasileiro, iniciado por Collor. Então o que há de novo, que poderá manter a estabilidade econômica, os ganhos sociais, e fazer as reformas que o Brasil precisa é o Eduardo e Marina. Para isso precisam conectar com a sociedade, dizer a que veio e o que vão fazer. Vão fazer um novo pacto federativo, para distribuir recursos aos Estados e Municípios, como? Vão fazer a reforma política, de que jeito? Vão construir escolas em tempo integral em todo o Brasil? Vão resolver o problema da mobilidade urbana, nos grandes centros, onde ninguém mais suporta o trânsito e a deficiência do transporte público, como? Vão enfrentar e resolver o problema da saúde e segurança, que os Estados sozinhos não conseguem, de que forma? O PT/PMDB e o PSDB/DEM tiveram oportunidade de fazer, não fizeram. Eduardo e Marina podem fazer, mas precisam expor à população. A última pesquisa DATAFOLHA indica queda de todos os candidatos e aumento do voto branco e nulo. É um sinal de alerta, que precisa observado.

Entorno: A aliança PSB e Rede Sustentabilidade em Goiás formou uma base sólida com candidatos a deputados estaduais e federais? Qual a sua visão política a respeito?
Possui uma boa chapa para Deputado Estadual, competitiva, com boas chances de elegerem os atuais e novos deputados. Está montando uma chapa para Deputado Federal, se todos os nomes em discussão forem efetivamente confirmados, a coligação poderá eleger vários deputados federais, o que será muito importante para ajudar implementar as mudanças que Goiás precisa.

Entorno: O município de Formosa mesmo não fazendo parte do Nordeste Goiano tem mais eleitorado que toda a região, caso tire o município de Posse-GO que possui 30 mil habitantes. O que Formosa, sendo o mais importante ponto de escoamento de produção pode contar com Aguimar Senador?
Pode contar com um árduo defensor das políticas regionais de desenvolvimento, com o objetivo de gerar emprego, renda e uma vida melhor. O PIB per capta de Goiás é de R$ 18.298,59 reais ao ano; o do Distrito Federal é de R$ 63.020,02; o da Região do Entorno de Brasília é de R$ 8.850,29; e o de Formosa de R$ 10.393,25. Há uma desigualdade muito grande que precisa ser resolvida, é como se quem morasse em Brasília estivesse na casa grande e no entorno na senzala. O índice de homicídio para 100.000 habitantes de formosa é de 65,81. A 12ª cidade mais violenta de Goiás. Para que se tenha uma ideia o índice de homicídio da cidade do Rio de Janeiro é de 21,47 e o de São Paulo de 17,58. Portanto, políticas públicas para o Entorno é urgente. Em primeiro lugar a União, que criou e mantém Brasília com recursos públicos, é a responsável pelo inchaço do entorno e seus problemas de saúde, educação, transporte e segurança. Devemos exigir, no Senado, que a União repasse às cidades do entorno cada centavo que repassa, per capta, para os habitantes do Distrito Federal. Assim seria possível enfrentar as questões ligadas à educação, saúde, segurança e transporte. Além do mais, Formosa, que está no entorno norte, precisa ser dotada de uma política de desenvolvimento, que possa gerar empregos e renda. A geração de energia solar, o fomento ao turismo, a agroecologia (que produz alimentos com melhores valores de mercado e com alta demanda em Brasília), além da agropecuária empresarial e agroindústria são exemplos. Mas em um Governo democrático quem decide é população e o governo é o indutor do desenvolvimento. Que se ouça a população e aplique a parte do FCO e da SUDECO que Formosa e o Nordeste de Goiás têm direito.

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