O CBMDF contabilizou 59 focos em vegetação neste sábado (15); creche com 148 crianças precisou ser evacuada no início do mês após incêndio na Reserva Biológica do Guará.

Brasília segue sob alerta laranja de perigo potencial devido à baixa umidade do ar, combinada às altas temperaturas típicas do período. Neste sábado (15), o Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF) registrou 59 incêndios em vegetação. Em julho, foram 1.096 ocorrências, e até o dia 10 deste mês já haviam sido contabilizados 605 casos.

A partir de agosto tem início o período mais crítico da estiagem brasiliense. No ano passado, o mês foi o de maior volume de incêndios em vegetação, com 1.826 registros, o que acende alerta para o mesmo período neste ano. Com exceção de maio, o número de ocorrências vinha caindo em todos os demais meses de 2026, mas o cenário agora entra em sua fase mais complexa. Em 2025, o total acumulado de incêndios em vegetação chegou a 6.488 ocorrências. Neste ano, a soma já está em 2.844 chamados.

O número elevado de incêndios tem gerado transtornos à população. Em 6 de agosto, o Centro de Educação da Primeira Infância (Cepi) Lobo Guará, no Setor Lucio Costa, precisou ser evacuado por causa de um incêndio na Reserva Biológica do Guará, localizada atrás da creche. Quase 150 crianças e 40 funcionários foram retirados do local em segurança e acolhidos no Edifício Warlley Covre, prédio próximo. Fagulhas do fogo chegaram a deixar buracos no pula-pula da instituição.

Cinco dias depois, em 11 de agosto, três novas ocorrências chamaram atenção. Uma delas atingiu uma área de vegetação ao lado do campus da Universidade de Brasília (UnB) em Ceilândia, o que levou a instituição a suspender as aulas da tarde devido à intensa fumaça na região. Em nota, a universidade afirmou que a medida foi tomada para "preservar a saúde e a segurança da comunidade acadêmica" e informou que não houve registro de danos às instalações do prédio. No mesmo dia, um incêndio de grandes proporções próximo à Boca da Mata, em Samambaia, provocou uma extensa coluna de fumaça, visível para moradores do Sudoeste e do Guará. Um terceiro episódio ocorreu em área de vegetação dentro da reserva do Zoológico de Brasília, que mobilizou seis viaturas do CBMDF, drones e a aeronave Nimbus, utilizada em operações de combate a incêndios florestais. Segundo os bombeiros, não houve registro de animais atingidos pelo fogo.

Para tentar conter o avanço das chamas, o CBMDF reforçou as orientações de sua cartilha preventiva. Nas áreas rurais, a recomendação é construir aceiros como barreiras de proteção próximas a residências e abrigos de animais. A corporação também destaca que os moradores não devem acender fogueiras durante a estiagem, queimar lixo ou restos de poda em áreas de Cerrado, soltar balões ou descartar bitucas de cigarro e fósforos em locais com vegetação, especialmente em estradas.

O CBMDF ressalta ainda que o combate direto ao fogo deve ser feito apenas por pessoas treinadas e com equipamentos adequados. Ao identificar um foco de incêndio, a orientação é acionar imediatamente a corporação pelo telefone 193.

Ocorrências de incêndio em vegetação

Em 2025, o levantamento mês a mês mostra 834 ocorrências entre janeiro e abril, 224 em maio, 809 em junho, 1.566 em julho, 1.826 em agosto, 1.361 em setembro e 702 em outubro, totalizando 6.488 casos no ano. Já em 2026, foram 468 ocorrências entre janeiro e abril, 589 em maio, 554 em junho, 1.096 em julho e 605 até o dia 10 de agosto, somando um total parcial de 2.844 registros no ano.

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