Espaço passa a atender 62 famílias da região e marca a 71ª obra entregue pela gestão do presidente Leandro Crispim, dentro do projeto Raízes Kalungas.
A comunidade São José, em Cavalcante, ganhou nesta quarta-feira (23) uma estrutura própria e mais funcional para acessar os serviços do Poder Judiciário. O presidente do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO), desembargador Leandro Crispim, inaugurou a nova sede do Ponto de Inclusão Digital (PID) local, que passa a atender 62 famílias da região. A entrega marca a 71ª obra da gestão do desembargador e integra o Mês da Presidência do projeto Raízes Kalungas. A cerimônia contou com a presença do corregedor-geral da Justiça e do Foro Extrajudicial, Marcus da Costa Ferreira.
Durante a solenidade, Crispim relembrou que o PID havia sido instalado, em 2024, em uma sala cedida pela Escola Municipal João de Deus Coutinho. Segundo ele, parcerias com o INSS, a Defensoria Pública e outras instituições devem ampliar ainda mais os serviços oferecidos no local, permitindo que direitos antes buscados a quilômetros de distância passem a ser garantidos dentro da própria comunidade. "Hoje entrego a sede própria", disse o presidente do TJGO, acrescentando que "não me cabe declarar encerrado o esquecimento, porque a palavra pertence a quem viveu, e só vocês podem dizer o que mudou desde então". Segundo ele, a partir de agora não haverá mais comitivas nem discursos, apenas moradores chegando com suas demandas e uma equipe preparada para atendê-los.
O corregedor-geral Marcus da Costa Ferreira destacou o esforço do tribunal para descentralizar os serviços e reduzir a distância histórica entre o Estado e comunidades isoladas como São José. Para ele, é essencial que o Judiciário esteja presente onde a população mais precisa, evitando que moradores deixem de buscar seus direitos por causa da dificuldade de deslocamento. "No PID, vocês têm um espaço de acolhida e condições de buscar um amparo rápido", afirmou, orientando os presentes a recorrer às servidoras da unidade sempre que precisarem de algum serviço do Judiciário.
Um direito que estava longe demais
O juiz auxiliar da Presidência e coordenador do projeto Raízes Kalungas, Reinaldo Dutra, associou a chegada do PID à correção de uma injustiça histórica, já que moradores da região precisavam percorrer até 200 quilômetros para obter documentos, benefícios previdenciários ou acesso à Justiça. "Isso, evidentemente, é uma situação de injustiça que acontecia nessa comunidade até pouco tempo atrás", afirmou.
A diretora do Foro da Comarca de Cavalcante, juíza Isabela Rebouças, avaliou que a iniciativa representa um avanço na descentralização do atendimento, evitando deslocamentos até a sede do município. "São pessoas juntas que só querem no final uma coisa: que cada um de vocês tenha acesso à cidadania, à documentação, ao benefício previdenciário e à justiça no seu modo mais amplo", disse, destacando que a nova sede também devolve à comunidade a sala de aula antes usada para os atendimentos.
Já a defensora pública da União Liana Dani ressaltou a parceria entre a instituição e Cavalcante no atendimento a benefícios previdenciários, e destacou que o PID também funciona como espaço de orientação para que os moradores não caiam em golpes. "Foi a luta e o foco de vocês que trouxeram o PID para cá", afirmou. Representando o prefeito Vilmar Kalunga, a secretária de Igualdade Racial e da Mulher, Malu Martins, descreveu o momento como histórico para a comunidade, marcado pelo acesso a direitos, informação e à presença direta de juízes ouvindo as demandas locais.
Uma conquista construída de dentro para fora
A trajetória da servidora do PID Yunara da Silva Santos resume, em parte, o significado do projeto para a comunidade. Ela deixou São José aos 13 anos, voltou aos 19 para trabalhar como professora, partiu de novo com o encerramento daquele projeto e, aos 29, encontrou no PID a chance de retornar em definitivo. "Fico extremamente feliz em poder voltar trazendo novos acessos para cá", contou. Para ela, o novo espaço representa "a realização de um sonho antigo dessa comunidade" e "uma conquista coletiva, que ampliou as possibilidades de acesso para a população local".
Entre os beneficiários diretos está a lavradora Marizete Martins, de 60 anos, que relatou como o atendimento no próprio bairro mudou sua rotina. Antes, contou, era preciso pagar cerca de R$ 100 em passagens só para chegar a Cavalcante e resolver questões simples. Hoje, segundo ela, consegue tudo pela unidade local e sem custo, incluindo a própria pensão, a documentação do neto, a pensão alimentícia da filha e até o pagamento da conta de luz.
Entregas e presenças
Durante a cerimônia, o presidente Leandro Crispim recebeu da comunidade produtos regionais, enquanto a primeira-dama do TJGO, Luciene Camargo, distribuiu kits de higiene pessoal e roupas para as crianças locais, parte das ações do Programa Judiciário Solidário.
Também acompanharam a solenidade a juíza auxiliar da Presidência Lidia de Assis e Souza, a secretária-geral da Presidência, Dahyenne Mara Martins Lima Alves, a diretora de Arquitetura e Engenharia do TJGO, Cybelle Saad Sabino de Freitas Faria, os diretores Roberto Nascimento e Luciano Augusto, a defensora pública da União Séfora Zortea, o presidente da Associação de Produtores Rurais da comunidade São José, José Paulino, a servidora do PID Dorama Francisco Maia, além de outras servidoras, servidores e moradores da região.
A comunidade São José, em Cavalcante, ganhou nesta quarta-feira (23) uma estrutura própria e mais funcional para acessar os serviços do Poder Judiciário. O presidente do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO), desembargador Leandro Crispim, inaugurou a nova sede do Ponto de Inclusão Digital (PID) local, que passa a atender 62 famílias da região. A entrega marca a 71ª obra da gestão do desembargador e integra o Mês da Presidência do projeto Raízes Kalungas. A cerimônia contou com a presença do corregedor-geral da Justiça e do Foro Extrajudicial, Marcus da Costa Ferreira.
Durante a solenidade, Crispim relembrou que o PID havia sido instalado, em 2024, em uma sala cedida pela Escola Municipal João de Deus Coutinho. Segundo ele, parcerias com o INSS, a Defensoria Pública e outras instituições devem ampliar ainda mais os serviços oferecidos no local, permitindo que direitos antes buscados a quilômetros de distância passem a ser garantidos dentro da própria comunidade. "Hoje entrego a sede própria", disse o presidente do TJGO, acrescentando que "não me cabe declarar encerrado o esquecimento, porque a palavra pertence a quem viveu, e só vocês podem dizer o que mudou desde então". Segundo ele, a partir de agora não haverá mais comitivas nem discursos, apenas moradores chegando com suas demandas e uma equipe preparada para atendê-los.
O corregedor-geral Marcus da Costa Ferreira destacou o esforço do tribunal para descentralizar os serviços e reduzir a distância histórica entre o Estado e comunidades isoladas como São José. Para ele, é essencial que o Judiciário esteja presente onde a população mais precisa, evitando que moradores deixem de buscar seus direitos por causa da dificuldade de deslocamento. "No PID, vocês têm um espaço de acolhida e condições de buscar um amparo rápido", afirmou, orientando os presentes a recorrer às servidoras da unidade sempre que precisarem de algum serviço do Judiciário.
Um direito que estava longe demais
O juiz auxiliar da Presidência e coordenador do projeto Raízes Kalungas, Reinaldo Dutra, associou a chegada do PID à correção de uma injustiça histórica, já que moradores da região precisavam percorrer até 200 quilômetros para obter documentos, benefícios previdenciários ou acesso à Justiça. "Isso, evidentemente, é uma situação de injustiça que acontecia nessa comunidade até pouco tempo atrás", afirmou.
A diretora do Foro da Comarca de Cavalcante, juíza Isabela Rebouças, avaliou que a iniciativa representa um avanço na descentralização do atendimento, evitando deslocamentos até a sede do município. "São pessoas juntas que só querem no final uma coisa: que cada um de vocês tenha acesso à cidadania, à documentação, ao benefício previdenciário e à justiça no seu modo mais amplo", disse, destacando que a nova sede também devolve à comunidade a sala de aula antes usada para os atendimentos.
Já a defensora pública da União Liana Dani ressaltou a parceria entre a instituição e Cavalcante no atendimento a benefícios previdenciários, e destacou que o PID também funciona como espaço de orientação para que os moradores não caiam em golpes. "Foi a luta e o foco de vocês que trouxeram o PID para cá", afirmou. Representando o prefeito Vilmar Kalunga, a secretária de Igualdade Racial e da Mulher, Malu Martins, descreveu o momento como histórico para a comunidade, marcado pelo acesso a direitos, informação e à presença direta de juízes ouvindo as demandas locais.
Uma conquista construída de dentro para fora
A trajetória da servidora do PID Yunara da Silva Santos resume, em parte, o significado do projeto para a comunidade. Ela deixou São José aos 13 anos, voltou aos 19 para trabalhar como professora, partiu de novo com o encerramento daquele projeto e, aos 29, encontrou no PID a chance de retornar em definitivo. "Fico extremamente feliz em poder voltar trazendo novos acessos para cá", contou. Para ela, o novo espaço representa "a realização de um sonho antigo dessa comunidade" e "uma conquista coletiva, que ampliou as possibilidades de acesso para a população local".
Entre os beneficiários diretos está a lavradora Marizete Martins, de 60 anos, que relatou como o atendimento no próprio bairro mudou sua rotina. Antes, contou, era preciso pagar cerca de R$ 100 em passagens só para chegar a Cavalcante e resolver questões simples. Hoje, segundo ela, consegue tudo pela unidade local e sem custo, incluindo a própria pensão, a documentação do neto, a pensão alimentícia da filha e até o pagamento da conta de luz.
Entregas e presenças
Durante a cerimônia, o presidente Leandro Crispim recebeu da comunidade produtos regionais, enquanto a primeira-dama do TJGO, Luciene Camargo, distribuiu kits de higiene pessoal e roupas para as crianças locais, parte das ações do Programa Judiciário Solidário.
Também acompanharam a solenidade a juíza auxiliar da Presidência Lidia de Assis e Souza, a secretária-geral da Presidência, Dahyenne Mara Martins Lima Alves, a diretora de Arquitetura e Engenharia do TJGO, Cybelle Saad Sabino de Freitas Faria, os diretores Roberto Nascimento e Luciano Augusto, a defensora pública da União Séfora Zortea, o presidente da Associação de Produtores Rurais da comunidade São José, José Paulino, a servidora do PID Dorama Francisco Maia, além de outras servidoras, servidores e moradores da região.

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