O cenário político e administrativo em Formosa amanhece sob forte mobilização nesta quarta-feira, 21 de outubro de 2026. Os servidores públicos municipais realizam uma reunião geral e marcam presença maciça na Câmara de Vereadores para acompanhar de perto a sessão que decidirá o futuro da comissão processante do pedido de impeachment contra a prefeita Simone Ribeiro.

A articulação sindical ganhou força adicional após o Poder Executivo divulgar uma nota oficial considerada amplamente atécnica, confundindo assembleia com deflagração de greve e fazendo ameaças expressas de corte de ponto que acabaram elevando ainda mais os ânimos de toda a categoria.

Câmara de Formosa pauta leitura de três pedidos de impeachment
A pauta da 38ª Sessão Ordinária da Câmara Municipal inclui o recebimento e a apreciação de três representações formais por infração político-administrativa contra a prefeita Simone Dias Ribeiro de Melo. Os requerimentos em análise pelo plenário são a Infração Político-Administrativa nº 1/26, apresentada por Karlon Rodrigues Costa, a Infração nº 2/26, proposta por Vanderlan Ferreira dos Santos, e a Infração nº 3/26, protocolada por Ivan Ornelas. A deliberação dos vereadores vai definir a abertura da comissão processante encarregada de conduzir o processo de afastamento definitivo da gestora.

Reunião sindical na Praça Rui Barbosa e presença no Legislativo
Organizada pelo Sindicato dos Funcionários Públicos da Prefeitura Municipal de Formosa (SINPREFOR), a convocação estabeleceu concentração geral às 7h30 na Praça Rui Barbosa, reunindo servidores efetivos, comissionados e em estágio probatório.

A pauta inclui debates sobre o Decreto Municipal nº 3.512/2026, a instabilidade enfrentada pelos vínculos não estáveis e os impactos das medidas administrativas recentes sobre as carreiras, culminando no deslocamento coletivo até o plenário da Câmara Municipal para acompanhar as votações.

Nota da prefeitura é atécnica e eleva o descontentamento
A tensão explodiu com o comunicado emitido pela Prefeitura de Formosa, que garantiu funcionamento integral dos serviços e anunciou desconto salarial das faltas com base na Lei Municipal nº 143/1991, citando ainda os artigos 3º e 4º da Lei de Greve federal (Lei nº 7.783/1989).

A postura do Executivo foi avaliada pelos trabalhadores como uma intervenção atécnica e intimidatória, na tentativa de criminalizar um direito básico de reunião como se fosse abandono ou paralisação ilegal de serviços. A afirmação da prefeitura de que os salários estão em dia não amenizou o cenário, sendo recebida como uma provocação que acelerou a adesão dos servidores à mobilização.

SINPREFOR responde com nota oficial em defesa da categoria
Diante dos comunicados da gestão municipal, o SINPREFOR emitiu nota de esclarecimento aos trabalhadores ressaltando que "a organização sindical é um direito constitucional" e que "a defesa dos servidores não pode ser silenciada".

Sobre a natureza da mobilização, a entidade pontuou textualmente: "É necessário esclarecer que reunião sindical não é automaticamente sinônimo de greve ou paralisação. A Constituição Federal assegura a liberdade de associação sindical e reconhece aos sindicatos a defesa dos direitos e interesses de suas categorias."

A respeito da ameaça de retenção nos vencimentos, a nota sindical enfatizou: "Quanto à referência a possíveis descontos salariais, ressaltamos que qualquer medida deverá observar a legislação, a jurisprudência aplicável e as circunstâncias concretas de cada situação. O sindicato não orienta o descumprimento da legislação. Nossa atuação é pautada na responsabilidade, na defesa dos direitos e na busca de soluções coletivas."

O sindicato rebateu ainda o argumento governamental sobre pagamentos: "A regularização dos salários, embora necessária, não encerra as preocupações dos servidores e servidoras com o futuro de suas carreiras e a segurança de seus vínculos funcionais."

Por fim, a liderança reafirmou a importância do trabalho do funcionalismo e a continuidade dos atendimentos essenciais: "O SINPREFOR reconhece a importância da continuidade dos serviços públicos à população. Entretanto, entende que a prestação de serviços de qualidade também depende de valorização profissional, segurança jurídica, respeito aos direitos funcionais e diálogo permanente entre a Administração e os trabalhadores."

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