Meteorologista descarta mudança significativa no tempo; frente fria que avança pelo Sul do país não deve romper bloqueio atmosférico sobre o estado

Goiás terá uma semana marcada por temperaturas que podem chegar a 40°C, umidade relativa do ar de até 12% e nenhuma previsão de chuva. Segundo a meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) Elizabete Alves Ferreira, Goiânia deve registrar máximas entre 35°C e 36°C, enquanto as condições mais severas ficam concentradas nas regiões Norte, Noroeste e Oeste do estado, onde os termômetros podem alcançar entre 37°C e 40°C. Segundo ela, "continua a umidade baixa para toda a semana".

A meteorologista afirmou não esperar mudança significativa nas temperaturas, que devem permanecer na casa dos 35°C e 36°C na capital. Nas regiões mais quentes, os termômetros podem começar a semana em torno de 39°C e alcançar os 40°C nos próximos dias, com destaque para municípios como São Miguel do Araguaia, Aruanã, Aragarças e a Cidade de Goiás. O Inmet prevê manutenção do tempo seco no Centro-Oeste entre os dias 17 e 24 de agosto.

Umidade pode chegar a 12%
Além do calor, o estado deve manter níveis críticos de umidade relativa do ar ao longo da semana. Os valores devem ficar próximos de 15% durante as tardes em diversas regiões, podendo variar entre 12% e 20%, o que faz o estado alternar entre avisos amarelo e laranja conforme a região e o dia. O aviso laranja é emitido quando a umidade fica entre 12% e 20%, enquanto o amarelo corresponde à faixa entre 20% e 30%. Pela manhã, algumas localidades ainda podem registrar temperaturas entre 14°C e 18°C, enquanto à tarde os termômetros avançam para a faixa dos 34°C aos 40°C, dependendo da região.

Frente fria não deve romper bloqueio em Goiás
Uma frente fria que avança pelo Sul do Brasil deve provocar queda de temperatura naquela região, mas não deve alterar de forma significativa o cenário em Goiás. Segundo Elizabete, um bloqueio atmosférico persistente impede que o sistema avance sobre o estado com intensidade, e sua influência deve ser sentida principalmente no sudoeste goiano, com redução moderada das máximas. Ainda assim, o calor deve permanecer: em Rio Verde, por exemplo, as temperaturas podem recuar de cerca de 35°C ou 36°C para a faixa de 33°C a 34°C, valores mais próximos do normal para agosto na região.

Fim de semana terá mais nuvens, mas sem chuva
Não há previsão de chuva para Goiás ao longo da semana, apesar de uma mudança na nebulosidade esperada para sábado e domingo. Goiânia e municípios do sudoeste podem ter aumento de nuvens com a aproximação da frente fria que atua no Sul do país, o que deve elevar a umidade de cerca de 15% ou 18% para perto de 25% em algumas áreas, sem representar, porém, o retorno das chuvas. Segundo a meteorologista, trata-se de uma melhora pouco significativa, já que o estado sairia de um aviso laranja, mais crítico, para um amarelo.

Rajadas podem chegar a 40 km/h
O sudoeste de Goiás também pode registrar rajadas de vento no sábado, com velocidades entre 30 km/h e 40 km/h, em razão da circulação atmosférica provocada pela diferença entre massas de ar. Até o momento, não há aviso meteorológico específico do Inmet para ventos fortes relacionado a essa condição, já que os alertas costumam ganhar maior atenção quando as rajadas alcançam entre 40 km/h e 60 km/h.

Tempo seco aumenta risco de problemas respiratórios
O período prolongado de baixa umidade também eleva os riscos à saúde, principalmente entre crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias. Segundo o pneumologista Matheus Rabahi, médico do Hospital Israelita Albert Einstein em Goiânia, as crianças têm vias aéreas mais estreitas e sistema imunológico mais vulnerável em comparação aos adultos, enquanto entre os idosos a menor quantidade de água no organismo e a presença mais frequente de outras doenças aumentam a suscetibilidade aos efeitos do tempo seco.

Pessoas com asma, rinite, bronquite, doença pulmonar obstrutiva crônica e enfisema também podem apresentar agravamento dos sintomas, já que a baixa umidade favorece crises e descompensações de doenças respiratórias preexistentes. O ressecamento das vias aéreas reduz a proteção natural das mucosas e aumenta o desconforto respiratório, com atenção redobrada durante as tardes, quando a umidade atinge os menores níveis do dia.

Hidratação precisa fazer parte da rotina
Rabahi recomenda que a ingestão de água seja distribuída ao longo do dia e incorporada à rotina, sem depender apenas da sensação de sede, com atenção especial a crianças e idosos, grupos mais vulneráveis durante períodos prolongados de calor e seca. A hidratação das vias respiratórias também integra as recomendações do médico, que orienta o uso de soro fisiológico para lavagem nasal, ajudando a manter a mucosa hidratada e a preservar a proteção natural do nariz contra irritações e processos infecciosos.

O uso de umidificadores pode auxiliar em ambientes muito secos, mas o equipamento precisa passar por limpeza e manutenção frequentes, já que aparelhos mal higienizados podem acumular bactérias e outros microrganismos, tornando-se fonte de contaminação em vez de solução. A água deve ser trocada e o equipamento higienizado conforme as orientações do fabricante.

Exercícios devem evitar o período mais quente
Atividades físicas ao ar livre também precisam ser adaptadas enquanto a umidade permanecer em níveis críticos. O pneumologista orienta evitar exercícios intensos entre 10h e 16h, quando a combinação de calor, radiação solar e baixa umidade aumenta a perda de líquidos, recomendação que ganha importância especialmente entre pessoas com asma, bronquite, DPOC e outras doenças respiratórias. Segundo Rabahi, pessoas que apresentam piora persistente de sintomas respiratórios, como falta de ar ou agravamento de crises, precisam de avaliação médica.

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