Em artigo publicado às vésperas da Assembleia Geral das Nações Unidas, Benito Liao defende papel estratégico de Taiwan na cadeia global de semicondutores e critica exclusão do território dos órgãos da ONU

O representante de Taiwan no Brasil, Benito Liao, publicou um apelo aos brasileiros pedindo apoio à participação de Taiwan nas Nações Unidas, às vésperas da abertura da Assembleia Geral da ONU deste ano. No texto, Liao defende que os 23,5 milhões de habitantes de Taiwan seguem excluídos da organização e de suas agências especializadas, situação que classifica como resultado de "práticas discriminatórias" que, segundo ele, "violaram o espírito da Carta da ONU".

Segundo o representante, Taiwan é um ator relevante na economia global por sua atuação na fabricação de semicondutores, com papel importante no desenvolvimento da indústria de inteligência artificial e na cadeia de suprimentos de tecnologia. Liao também destaca a relevância geopolítica do Estreito de Taiwan, por onde, segundo ele, transita "aproximadamente metade dos navios de carga do mundo", argumento que usa para defender que a segurança da região é de interesse global, inclusive do Brasil, apesar da distância geográfica entre os dois países.

O tema da Assembleia Geral da ONU deste ano é "Restaurando a confiança, gerenciando a transformação: uma Organização das Nações Unidas que atenda a todos". Para Liao, esse princípio deveria incluir Taiwan, e ele pede que a organização "cesse suas políticas discriminatórias equivocadas", citando como exemplo a recusa de entrada de portadores de passaporte taiwanês, incluindo jornalistas, em atividades ligadas à ONU.

O representante também contesta a interpretação dada pela China à Resolução 2758 da ONU, adotada em 1971, afirmando que o texto, em sua leitura, "não afirma que Taiwan faça parte da China" nem autoriza Pequim a representar Taiwan no sistema da ONU. A interpretação da resolução é, no entanto, um ponto de disputa política entre Taiwan e a China, que defende posição oposta e reivindica soberania sobre a ilha.

No texto, Liao argumenta que Taiwan tem uma experiência de desenvolvimento bem-sucedida a compartilhar, citando sua democracia e seu compromisso com o desenvolvimento sustentável, e defende que a comunidade internacional busque formas de viabilizar essa participação. "Ninguém deve ser excluído", escreveu, ao concluir o apelo pedindo apoio internacional à participação "significativa" de Taiwan na ONU.

É chegada a época do ano em que as Nações Unidas se reúnem. Gostaria de
aproveitar e esta oportunidade para explicar aos nossos amigos brasileiros  
que Taiwan é um importante ator global na fabricação de semicondutores e
desempenha um papel crucial no desenvolvimento da indústria de inteligência artificial e na cadeia de suprimentos de tecnologia.
Além disso, o Estreito de Taiwan é uma importante rota marítima internacional, com aproximadamente metade dos navios de carga do mundo transitando por ele. Portanto, a grande maioria dos especialistas internacionais em geopolítica reconhece que a segurança e a estabilidade de Taiwan são vitais para o desenvolvimento econômico global, e é importante que todos os países estejam atentos a essa questão.Embora o Brasil esteja geograficamente distante de Taiwan, ambos compartilham o apreço pela paz e pela estabilidade. Esperamos também que nossos amigos brasileiros estejam atentos à importância de preservar a paz e a estabilidade no Estreito de Taiwan.
O tema da Assembléia Geral da ONU deste ano é: Restaurando a confiança, gerenciando a transformação: Uma Organização das Nações Unidas que atenda a todos. No entanto, a realidade é que os 23,5 milhões de habitantes de Taiwan ainda estão excluídos da ONU e de suas agências especializadas.
As práticas discriminatórias da ONU contra Taiwan nos últimos anos violaram o espírito da Carta da ONU e minaram sua inclusão e universalidade.
 
 
A participação na ONU é um direito de todos os habitantes da aldeia global, não um privilégio de poucos. Exortamos a ONU a cessar suas políticas  discriminatórias equivocadas contra Taiwan,incluindo a recusa de entrada de portadores de passaportes taiwanês e até mesmo de jornalistas em atividades relacionadas à ONU.
Durante muitos anos, a China interpretou de forrma errônea a Resolução 2758 da ONU, adotada em 1971, induziando a comunidade internacional ao erro. Na verdade, a resolução não afirma que Taiwan faça parte da China, nem autoriza a China a representar Taiwan no sistema da ONU. Exortamos a ONU a manter uma postura justa, a parar de ceder à pressão da China e a permitir a participação significativa de Taiwan na ONU e em suas agências especializadas.
Taiwan possui uma experiência bem-sucedida em desenvolvimento e está disposta a compartilhar sua democracia madura e estável, seus ideais de paz e sua determinação pelo desenvilvimento sustentável nas Nações Unidas. A comunidade internacional deve buscar maneiras adequadas de aceitar a participação de Taiwan para que ela possa contribuir ainda mas para o mundo.
Ninguém deve ser excluído. Taiwan tem o direito de participar das Nações Unidas, contribuindo com o fortalecimento da responsabilidade compartilhada e dos esforços em prol de desafios globais ajudando a promover os princípios universais e os Objetivos de desenvolvimento Sustentável globais consagrados pelas Nações Unidas.Conclamamos todos a apoiarem a participação significativa de Taiwan nas Nações Unidas, em benefício do progresso, da cooperação e da prosperidade globais.

Benito Liao, Representante de Taiwan no Brasil. 

 

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