Gestor da Secretaria da Pessoa com Deficiência destaca que apenas 70 mil dos 118 mil cadastros no sistema estão homologados.

Voltado para o impacto social das políticas públicas, o secretário da Pessoa com Deficiência do DF, Willian Ferreira da Cunha, destacou a importância do acesso ao conhecimento durante participação no programa Vozes da Comunidade, na manhã desta sexta-feira (18).

O gestor, que tem baixa visão desde os 11 anos, afirmou que a maior dificuldade enfrentada por uma pessoa com deficiência no DF é a falta de informação. "Essa ferramenta transforma", disse, acrescentando que "a primeira barreira que eu venci na minha vida" foi justamente o acesso a informação de qualidade. Willian relembrou o período em que saiu do interior de Goiás rumo a Brasília para buscar reabilitação no Centro de Ensino Especial de Deficientes Visuais, na L2 Sul, e destacou a importância de pessoas com deficiência conviverem entre si "para a gente conhecer as limitações e os direitos". Segundo ele, "quanto mais informação a gente possui, mais podemos transformar", e o conhecimento precisa anteceder até mesmo o desenvolvimento urbano e a infraestrutura para garantir uma inclusão efetiva.

No Distrito Federal, estimam-se cerca de 173 mil pessoas com deficiência, sendo Ceilândia a região administrativa com maior concentração dessa população e de atendimentos. No cargo desde abril de 2025, o secretário defende a informação como principal ferramenta transformadora e primeiro passo para garantir cidadania e romper obstáculos do cotidiano.

Cadastros e homologações
Atualmente, o sistema da secretaria conta com 118 mil pessoas cadastradas, mas apenas 70 mil formulários estão homologados após passarem pelo processo de perícia médica oficial. Cerca de 20 mil pessoas iniciaram o cadastro e não concluíram o processo, o que reforça, segundo o secretário, a necessidade de ampliar a conscientização sobre o acesso aos programas governamentais.

Inclusão profissional e habitacional
Para enfrentar o problema, a pasta atua na inclusão profissional e em projetos habitacionais, com suporte oferecido pelo BRB Mobilidade, localizado na estação da 112 Sul. "Incentivamos a pessoa a enfrentar o mercado de trabalho, mesmo recebendo o auxílio-inclusão", disse Willian, explicando que a medida facilita o preenchimento dos critérios para acesso a empreendimentos habitacionais.

A secretaria também mantém parcerias estratégicas com o Senac e o Ministério do Trabalho para capacitar candidatos e fiscalizar o cumprimento das cotas de contratação nas empresas cadastradas. "Algumas empresas não cumprem a regra de contratar profissionais com deficiência", reconheceu o secretário, afirmando que a pasta acompanha desde o preenchimento das cotas até a permanência dessas pessoas no emprego.

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