Diante do prazo imposto pela base governista para por fim à CPI do Cachoeira no próximo dia 22 de dezembro, parlamentares de oposição acusaram os aliados de criar uma "pizza", sem aprofundar as investigações sobre a influência do bicheiro e da construtora Delta no poder público, especialmente fora do Distrito Federal e Goiás.
Os governistas, no entanto, alegam que o trabalho feito até agora é suficiente para que a investigação prossiga na Polícia Federal e no Ministério Público.
Vale esta (2) CPI do Cachoeira cronologia (Foto: Arte G1)
Seis meses após ter sido instalada, a CPI criada para investigar as relações do contraventor Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, com políticos e empresários, pode encerrar os trabalhos sem votar mais de 500 requerimentos. Os pedidos incluem convocação de novas testemunhas e quebra do sigilo de empresas "fantasmas", suspeitas de repassarem recursos não declarados a campanhas (caixa 2) e pagar propinas a agentes públicos.
As investigações da Polícia Federal apontam que Cachoeira atuava como lobista e "sócio oculto" da construtora Delta, que teria repassado valores às firmas de fachada. Pelas contas do deputado Rubens Bueno (PPS-PR), são pelo menos 12 empresas nesta situação, que receberam R$ 200 milhões da Delta em 2010, em plena campanha eleitoral.
A oposição acusa a base de transformar a comissão em "pizza" e de querer proteger das investigações o ex-presidente da Delta Fernando Cavendish. Ele deixou o comando da construtora em meio ao escândalo, após revelação da ligação do dono da Delta Centro-Oeste Cláudio Abreu com o bicheiro.
"É para impedir a quebra do sigilo das laranjas do senhor Fernando Cavendish [ex-diretor da Delta], para que depois ele recompense com champanhe francesa quem o benefia nesta CPI", criticou o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS).
"Vamos assistir a uma grande pizza bolonhesa neste Congresso", disse o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP). "Esta CPI está descendo ladeira abaixo. Vamos quebrar o sigilos das empresas fantasmas ligadas a Delta? Se não, podemos encerrar essa Comissão", afirmou o senador Pedro Taques (PDT-MT).
Prorrogação
Para convocar novas testemunhas e receber novas informações, a oposição defendia mais 180 dias, mas não obteve apoio suficiente. "Não temos como chegar nas 171 assinaturas. Esses 48 dias é o tempo da farsa. Nada mais vai ser investigado", disse o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS).
"Não há como fazer encenação. Com esta prorrogação de 48 dias, estamos encerrando a CPI. Preferimos percorrer este calvário de desgaste que afunda o poder legislativo do que investigar", criticou o senador Alvaro Dias (PSDB-PR).

Nesta quarta, quando o prazo de 48 dias acabou prevalecendo, com mais assinaturas, o relator, Odair Cunha (PT-MG), sinalizou que o tempo seria suficiente para debater e concluir o relatório final, que deverá conter recomendações ao Ministério Público.
Sem adiantar as conclusões do documento, Odair defendeu o trabalho da CPI. "Eu tenho certeza de que nenhuma das nossa biografias será manchada ou maculada com aquilo que nós haveremos de constar no nosso relatório [...] A morte da CPI seria se nós não tivéssemos condições regimentais de encaminhar toda a documentação que esta CPI tem aos órgãos permanentes de investigação".

Para o senador Jorge Vianna (PT-AC), a CPI "já prestou um grande serviço ao país". "Já temos sigilo quebrado, já temos autoridades públicas sob suspeição e que serão entregues à Justiça. Agora tem o Ministério Público para entrar em campo, tem a Justiça para agir, a Polícia Federal para levar adiante o trabalho feito pela CPI", afirmou.
O deputado Leonardo Picciani (PMDB-RJ), argumenta que uma prorrogação muito extensa poderia desviar o foco da investigação. "Num prazo maior, se poderá avançar sobre novas linhas, diversificar os temas. Num prazo menor, é preciso fechar com correção, fechar com competência aquilo que já investigamos e os muitos dados que já recebemos", disse.

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