Governadora Celina Leão assina doação do imóvel federal ao GDF e contrato com feirantes; reforma de 36 meses deve transformar o espaço em polo de comércio, gastronomia, cultura e economia solidária
A governadora do Distrito Federal, Celina Leão, assinou nesta terça-feira (3) dois documentos que oficializam a retomada do Shopping Popular, no Setor de Armazenagem e Abastecimento Norte (SAAN): a lei que autoriza o GDF a receber a propriedade da União e o contrato de cessão com os permissionários que ainda mantêm boxes no local. O imóvel, fechado desde 2017 e por anos à espera de uma destinação, passará por ampla reforma para abrigar o novo Mercado Municipal.
O projeto prevê comércio popular, economia solidária, agricultura familiar e espaços de cultura e lazer. O prazo estimado para execução das obras é de 36 meses.
"Nós não podíamos fazer nenhuma intervenção física, nenhuma construção, porque essa área não era nossa", disse Celina Leão durante a cerimônia de assinatura. "Hoje recebemos a doação oficial, que nos dá a condição de fazer o Mercado Municipal. Temos agora uma missão muito grande: tirar o sonho das pessoas do papel. É fazer disso aqui um mercadão de verdade, com gente comprando, produtos fresquinhos e restaurantes funcionando."
Divisão do espaço
Pelo projeto, os atuais feirantes permissionários ocuparão 35% da área total do edifício. O restante será destinado a gastronomia, atividades culturais, esportivas e de lazer. Parte do pavimento térreo será cedida ao Ministério do Trabalho e Emprego, que instalará no local um centro de formação voltado à economia popular e solidária.
O imóvel integra o programa federal Imóvel da Gente, coordenado pela Secretaria de Patrimônio da União (SPU), que busca dar uso social a bens públicos federais ociosos ou subutilizados. A transferência regulariza uma situação que estava em aberto desde o fim do antigo termo de cessão.
A secretária da SPU, Carolina Gabas, explicou que o processo foi demorado justamente para garantir a destinação social do espaço. "A gente queria garantias do GDF de que as reformas seriam feitas, com a permanência de quem historicamente atua aqui e com valorização da economia popular e solidária", afirmou. "O papel do governo federal foi formatar o contrato de doação com os encargos. Agora, o GDF vai fazer a licitação e garantir os feirantes que já investiram aqui. Cabe à União monitorar e fiscalizar o cumprimento dessas obrigações."
O superintendente do Patrimônio da União no DF, Roberto Policarpo, ressaltou que o acordo vai além do aspecto patrimonial. "Essa parceria vai, acima de tudo, resgatar a dignidade dos feirantes do Shopping Popular. Há uma lista de reivindicações que precisam ser atendidas para que a gente possa realmente fazer isso", disse.
Uma história de abandono
Inaugurado em 2008 para abrigar ambulantes e camelôs que trabalhavam principalmente na Rodoviária do Plano Piloto, o Shopping Popular chegou a contar com cerca de 1.500 boxes. Com o passar dos anos, o movimento caiu, as estruturas se deterioraram e os stands foram sendo fechados. Quando o antigo termo de cessão venceu, em 2017, nenhum novo acordo foi firmado — e o espaço entrou em compasso de espera.
Para os feirantes que resistiram, as dificuldades são cotidianas. A comerciante Cleonice Maria de Jesus, que trabalha no local há quase 19 anos, descreve uma rotina marcada pela precariedade: "Nós não temos luz, precisamos pegar um gerador, que pagamos por dia de consumo, senão fica no escuro. E no escuro você não consegue vender nada, não consegue usar máquina de cartão, não consegue ver a mercadoria." Com o baixo movimento, ela passou a abrir o box apenas três vezes por semana.
Para Edilene Fernandes, a "Galega", presidente da Associação do Shopping Popular, as assinaturas desta terça representam uma virada. "Nós estávamos à espera de um milagre", disse. "A gente tem a certeza de que agora a nossa vida vai mudar. Eu imagino isso aqui cheio, um centro de referência e um ponto turístico de Brasília."
A feirante, no entanto, faz um pedido ao poder público: "A gente espera que o governo entre com seriedade, identifique quem realmente quer trabalhar e dê destino aos boxes de quem não quer abrir."
Socorro Rocha, outra permissionária presente desde a inauguração, compartilha o otimismo com cautela. "Acredito que agora pelo menos uma luzinha apareceu. Só pode ser para melhorar. Para pior não pode ser, porque a gente sofre aqui."
O deputado distrital Ricardo Vale, vice-presidente da Câmara Legislativa, acompanhou a cerimônia e prometeu fiscalização parlamentar ao longo do processo. "Logo, logo a gente vai ter aqui um mercado central muito bonito, numa área extremamente importante. Todos os estados para os quais a gente viaja têm um mercado central. Aqui tem condições de virar uma referência para o Distrito Federal."
A governadora do Distrito Federal, Celina Leão, assinou nesta terça-feira (3) dois documentos que oficializam a retomada do Shopping Popular, no Setor de Armazenagem e Abastecimento Norte (SAAN): a lei que autoriza o GDF a receber a propriedade da União e o contrato de cessão com os permissionários que ainda mantêm boxes no local. O imóvel, fechado desde 2017 e por anos à espera de uma destinação, passará por ampla reforma para abrigar o novo Mercado Municipal.
O projeto prevê comércio popular, economia solidária, agricultura familiar e espaços de cultura e lazer. O prazo estimado para execução das obras é de 36 meses.
"Nós não podíamos fazer nenhuma intervenção física, nenhuma construção, porque essa área não era nossa", disse Celina Leão durante a cerimônia de assinatura. "Hoje recebemos a doação oficial, que nos dá a condição de fazer o Mercado Municipal. Temos agora uma missão muito grande: tirar o sonho das pessoas do papel. É fazer disso aqui um mercadão de verdade, com gente comprando, produtos fresquinhos e restaurantes funcionando."
Divisão do espaço
Pelo projeto, os atuais feirantes permissionários ocuparão 35% da área total do edifício. O restante será destinado a gastronomia, atividades culturais, esportivas e de lazer. Parte do pavimento térreo será cedida ao Ministério do Trabalho e Emprego, que instalará no local um centro de formação voltado à economia popular e solidária.
O imóvel integra o programa federal Imóvel da Gente, coordenado pela Secretaria de Patrimônio da União (SPU), que busca dar uso social a bens públicos federais ociosos ou subutilizados. A transferência regulariza uma situação que estava em aberto desde o fim do antigo termo de cessão.
A secretária da SPU, Carolina Gabas, explicou que o processo foi demorado justamente para garantir a destinação social do espaço. "A gente queria garantias do GDF de que as reformas seriam feitas, com a permanência de quem historicamente atua aqui e com valorização da economia popular e solidária", afirmou. "O papel do governo federal foi formatar o contrato de doação com os encargos. Agora, o GDF vai fazer a licitação e garantir os feirantes que já investiram aqui. Cabe à União monitorar e fiscalizar o cumprimento dessas obrigações."
O superintendente do Patrimônio da União no DF, Roberto Policarpo, ressaltou que o acordo vai além do aspecto patrimonial. "Essa parceria vai, acima de tudo, resgatar a dignidade dos feirantes do Shopping Popular. Há uma lista de reivindicações que precisam ser atendidas para que a gente possa realmente fazer isso", disse.
Uma história de abandono
Inaugurado em 2008 para abrigar ambulantes e camelôs que trabalhavam principalmente na Rodoviária do Plano Piloto, o Shopping Popular chegou a contar com cerca de 1.500 boxes. Com o passar dos anos, o movimento caiu, as estruturas se deterioraram e os stands foram sendo fechados. Quando o antigo termo de cessão venceu, em 2017, nenhum novo acordo foi firmado — e o espaço entrou em compasso de espera.
Para os feirantes que resistiram, as dificuldades são cotidianas. A comerciante Cleonice Maria de Jesus, que trabalha no local há quase 19 anos, descreve uma rotina marcada pela precariedade: "Nós não temos luz, precisamos pegar um gerador, que pagamos por dia de consumo, senão fica no escuro. E no escuro você não consegue vender nada, não consegue usar máquina de cartão, não consegue ver a mercadoria." Com o baixo movimento, ela passou a abrir o box apenas três vezes por semana.
Para Edilene Fernandes, a "Galega", presidente da Associação do Shopping Popular, as assinaturas desta terça representam uma virada. "Nós estávamos à espera de um milagre", disse. "A gente tem a certeza de que agora a nossa vida vai mudar. Eu imagino isso aqui cheio, um centro de referência e um ponto turístico de Brasília."
A feirante, no entanto, faz um pedido ao poder público: "A gente espera que o governo entre com seriedade, identifique quem realmente quer trabalhar e dê destino aos boxes de quem não quer abrir."
Socorro Rocha, outra permissionária presente desde a inauguração, compartilha o otimismo com cautela. "Acredito que agora pelo menos uma luzinha apareceu. Só pode ser para melhorar. Para pior não pode ser, porque a gente sofre aqui."
O deputado distrital Ricardo Vale, vice-presidente da Câmara Legislativa, acompanhou a cerimônia e prometeu fiscalização parlamentar ao longo do processo. "Logo, logo a gente vai ter aqui um mercado central muito bonito, numa área extremamente importante. Todos os estados para os quais a gente viaja têm um mercado central. Aqui tem condições de virar uma referência para o Distrito Federal."


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