Com obras em andamento e R$ 319 milhões investidos, sistema ganhará 5,9 km de novos trilhos; projeto da Linha 2 prevê atender ainda Santa Maria, Gama e Recanto das Emas

O Metrô do Distrito Federal está prestes a mudar de patamar. Com as novas estações planejadas para Samambaia e Ceilândia, o sistema passará dos atuais 42,3 quilômetros de extensão para 48,2 quilômetros de via, ampliando a capacidade de transporte de 160 mil para cerca de 180 mil passageiros por dia. O salto representa não apenas mais trilhos, mas uma aposta do Governo do Distrito Federal na mobilidade urbana como resposta concreta ao crescimento da capital.

O investimento previsto para as obras de Samambaia sozinha chega a R$ 319 milhões dos quais R$ 77,6 milhões já foram executados. Atualmente, há frentes simultâneas de terraplenagem, drenagem, estruturas, contenções e sistemas complementares, com geração de cerca de 350 empregos diretos e indiretos.

O movimento não é novo. Desde 2019, o GDF inaugurou três novas estações, duas no Plano Piloto e uma em Águas Claras, com investimento de R$ 42 milhões, o que resultou em 5 mil novos usuários diários no sistema. Ao todo, desde aquele ano, os investimentos do GDF na ampliação do metrô superaram R$ 119,3 milhões.

Samambaia: 30 anos de espera chegando ao fim
Para o diretor-presidente do Metrô-DF, Handerson Cabral, a expansão de Samambaia tem um peso simbólico especial. O projeto já estava previsto desde a concepção original do metrô, há cerca de 30 anos, mas só ganhou tração a partir de 2023. A licitação foi concluída e as obras começaram entre março e abril de 2025.

O projeto engloba duas novas paradas, chamadas de estações 35 e 36, partindo do terminal existente da cidade, além de três subestações retificadoras de energia e a infraestrutura complementar necessária. O empreendimento acrescentará 3,6 quilômetros de via, estendendo o ramal até o subcentro oeste do bairro, nas proximidades da 1ª Avenida Sul.

As duas novas unidades somam aproximadamente 7 mil metros quadrados de área construída e estão situadas em pontos estratégicos: próximas à UPA de Samambaia, ao Centro Olímpico e Paralímpico da cidade e a novos complexos habitacionais. A Estação 36 será concebida como terminal operacional do trecho.

O impacto no trânsito também está calculado. A expectativa é que os novos pontos de Samambaia atraiam entre 12 e 15 mil usuários por dia, número que equivaleria à retirada de 3.225 automóveis das pistas diariamente, ou de 62 ônibus alongados, segundo estudo do próprio Metrô-DF.

Quem mora na região já aguarda com expectativa. José Lamartine, aposentado de 72 anos que vive na Expansão do Setor O, não esconde o entusiasmo: para ele, as novas estações são especialmente importantes para quem mora nas áreas mais afastadas da cidade, e a ampliação vai tornar o sistema ainda mais ágil e sem complicações.

Ceilândia na fila: licitação reaberta, obra por vir
A região administrativa mais populosa do DF também está na mira da expansão. O processo licitatório para o ramal de Ceilândia foi reaberto em março deste ano. O projeto prevê 2,3 quilômetros de novas vias a partir da Estação Ceilândia, chegando até as margens da BR-070, com dois novos pontos de embarque: um próximo à UPA e outro ao Centro Olímpico e Paralímpico da cidade. A projeção é atender entre 15 e 18 mil passageiros por dia.

Pedro Ícaro Barroso, fotógrafo de 29 anos que mora no Itapoã e usa o metrô regularmente para chegar a Taguatinga e Ceilândia, vê a ampliação como necessária: para ele, a expansão das linhas é especialmente importante para as regiões mais afastadas do Plano Piloto, como Gama e Santa Maria, e vai facilitar a vida de muita gente.

A grande promessa: Linha 2
No horizonte mais distante, o Metrô-DF projeta sua transformação mais ambiciosa. A Linha 2 pretende conectar a área Sul do DF ao Plano Piloto, atendendo cidades como Santa Maria, Gama, Riacho Fundo II, Recanto das Emas, Núcleo Bandeirante, Candangolândia, Cruzeiro e o próprio Plano Piloto, com integração à Rodoviária e à Esplanada dos Ministérios.

Com extensão projetada de aproximadamente 60 quilômetros, a linha teria capacidade para cerca de 130 mil passageiros por dia, com 50 mil usuários só no pico da manhã. A estimativa de investimento varia entre R$ 13,4 bilhões e R$ 20,4 bilhões, a depender do traçado e das soluções técnicas a serem definidas.

Por ora, estão sendo elaborados os Estudos Preliminares de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental do empreendimento. A próxima etapa será a modelagem econômica e financeira junto ao anteprojeto de engenharia, para então viabilizar a licitação da obra. Handerson Cabral ressaltou que a governadora Celina Leão determinou que o processo avance o mais rápido possível, dada a enorme demanda de passageiros nas regiões que seriam atendidas.

Mais tecnologia no dia a dia
Enquanto as obras avançam, o Metrô-DF também modernizou a experiência nas 27 estações já existentes. Entre as mudanças recentes estão a implantação do pagamento por aproximação nas catracas, o uso de QR Code no lugar dos bilhetes de papel, a substituição e ampliação dos validadores e painéis informativos com horários de chegada dos trens em todas as estações.

O aplicativo lançado pela companhia permite acompanhar o funcionamento do sistema em tempo real e conta com funções de Achados e Perdidos e de suporte a denúncias de segurança, disponíveis para Android e iOS.

Na operação, uma mudança especialmente bem recebida pelos trabalhadores: as estações passaram a abrir às 5h30, meia hora mais cedo do que antes, e o funcionamento aos domingos foi estendido até às 21h30, horário que antes era encerrado às 19h.

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