Presidente da companhia diz que nova política da empresa prioriza preservação do patrimônio existente e anuncia liberação total das obras até o fim de julho

O presidente da Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap), Fernando Leite, participou nesta sexta-feira (10) do programa Vozes da Comunidade e detalhou os avanços no programa de recuperação das estruturas viárias do Distrito Federal, com destaque para as obras nos viadutos 10 e 11 do Eixão, que se encontram nas etapas finais de paisagismo e acabamento.

Leite ressaltou que a gestão atual da Novacap adotou uma nova visão em relação ao patrimônio urbano da cidade. Segundo ele, a prioridade deixou de ser apenas a execução de novas obras e passou a ser a conservação da infraestrutura já existente. "O mais importante para a Novacap, hoje, mais do que construir, é preservar. A companhia tem mais de 70 anos e, durante muito tempo, não existiu uma cultura estruturada de manutenção das obras de arte especiais, como pontes e viadutos", afirmou.

A mudança de postura foi desencadeada pelo desabamento do Viaduto da Galeria dos Estados, em 2018. A partir daquele episódio, a Novacap implantou um programa permanente de monitoramento, manutenção preventiva e recuperação de viadutos ao longo do Eixão e de outras estruturas essenciais da capital. Entre as intervenções já realizadas estão os serviços na Ponte Honestino Guimarães e as obras em andamento na Ponte JK, que completou duas décadas de uso.

No caso dos viadutos 10 e 11, considerados estruturalmente similares ao Viaduto da Galeria dos Estados, a situação encontrada nas inspeções surpreendeu os próprios técnicos da companhia. O contrato original previa apenas revisões técnicas e revitalizações convencionais, com uso de métodos modernos de diagnóstico como ensaios e análises estruturais. A avaliação presencial, porém, revelou um cenário muito mais grave. "Quando a equipe entrou na estrutura e realizou as verificações necessárias, constatou que o viaduto estava em condição crítica, com risco iminente de colapso. Era uma emergência", relatou o gestor.

Após a identificação do problema, a Defesa Civil foi acionada e confirmou o risco à segurança. A interdição foi imediata, seguida pela instalação de escoramentos para estabilizar a estrutura. A laje superior apresentava sinais avançados de deterioração e poderia ceder a qualquer momento em um dos corredores viários de maior movimentação do Distrito Federal. A gravidade dos danos exigiu uma revisão completa do projeto e provocou atraso de quase dois anos no cronograma previsto.

A solução adotada foi preservar os elementos que ainda apresentavam condições adequadas e construir uma nova estrutura sobre a base recuperada. "Optamos por aproveitar o que era possível e construir praticamente um novo viaduto sobre a estrutura existente. Foi uma solução segura e eficiente", destacou Leite. Além da recuperação estrutural, a intervenção incorporou novas calçadas, melhorias que não estavam no projeto original e obras de recuperação das tradicionais tesourinhas da região.

A expectativa da Novacap é liberar totalmente a parte superior dos viadutos até o final de julho. Para Fernando Leite, a experiência nos viadutos 10 e 11 simboliza a nova política adotada pela companhia na gestão dos equipamentos públicos. "Não basta recuperar. É preciso revitalizar. Precisamos trazer esses espaços públicos para a realidade atual, oferecendo mais segurança, acessibilidade e qualidade para quem utiliza a cidade todos os dias", concluiu.

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