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 O motorista Cláudio Almeida e a mãe dele, Neusa da Silva, morreram carbonizados ao bater uma Saveiro na traseira de um caminhão parado no acostamento da BR-020
Acidentes na altura de Santa Maria e de Planaltina aumentam o total de tragédias nas rodovias federais que cortam a capital do país. No primeiro trimestre do ano, houve 29 fatalidades nesse tipo de pista
Em apenas três horas e meia, quatro pessoas morreram e duas ficaram feridas em acidentes de trânsito nas estradas que cortam o Distrito Federal. Só ontem, a quantidade de fatalidades superou a média do trimestre de 2012. Entre janeiro e março deste ano, o Departamento de Trânsito (Detran) registrou 29 mortes nas rodovias federais brasilienses — uma a cada três dias. No ano passado, houve 28 casos no mesmo período. No total, são pelo menos 86 em toda a capital do país.

As estatísticas comprovam que as colisões em estradas geralmente são mais graves do que as ocorridas em vias urbanas. O excesso de velocidade, as ultrapassagens em locais proibidos e a mistura álcool e volante aparecem entre as principais causas das tragédias nesse tipo de pista. Levantamento da Superintendência Regional da Polícia Rodoviária Federal (PRF/DF) contabilizou 280 vítimas, sendo 22 mortas, 49 feridas com gravidade e outras 209 com ferimentos leves, também no primeiro trimestre do ano.
Os números são diferentes em relação aos do Detran porque a PRF só conta as vítimas do local do acidente. O órgão local acompanha o estado de saúde delas por até 30 dias após a ocorrência. Se nesse período houver óbito, o caso é incluído nas estatísticas. “Será que é preciso colocar uma policial de 10km em 10km para que o condutor obedeça à sinalização? Em Brasília, a maioria dos registros é de colisão traseira, lateral e transversal, coisa que poderia ser evitada caso o condutor respeitasse as leis de trânsito”, afirmou o inspetor Dalvimar de Lucas Barbosa, chefe da Comunicação da PRF/DF.
Embriaguez
Segundo o órgão federal, as BRs 040 e 070 são as mais perigosas da capital federal. Um dos acidentes de ontem, por exemplo, ocorreu na primeira delas. Um motorista embriagado provocou a morte de um garçom e um copeiro na altura de Santa Maria. A colisão fatal ocorreu às 3h. Segundo informações da Polícia Civil do DF, o condutor do Toyota Corolla, Reginaldo Teodoro, 51 anos, estava alcoolizado quando bateu na traseira de um Uno, que saiu da pista, capotou e atingiu um poste. Os passageiros Gilson Pereira de Castro, 28 anos, e Gregório da Silva Filho, 32, morreram na hora. Outros dois ocupantes, que não tiveram os nomes divulgados, ficaram feridos.
Segundo a PRF, Reginaldo saiu ileso do acidente. Ele se submeteu ao teste do bafômetro espontaneamente e o resultado deu positivo, mas a Polícia Civil do DF não informou o índice de alcoolemia. Ele acabou autuado em flagrante por embriaguez ao volante e homicídio culposo (sem intenção de matar) na direção de veículo. Até as 19h de ontem, continuava preso. A 33ª Delegacia de Polícia (Santa Maria) investiga o caso.
Gregório trabalhava como garçom no Segundo Clichê, na 107 Norte, havia quase oito anos. Os clientes assíduos o chamavam por Greg. Ele deixou a mulher e uma filha de 10 anos. Na página do bar no Facebook, foram deixadas mensagens em homenagem a ele. Em uma delas, o estabelecimento informou que não abriria por motivo de luto. “Hoje (ontem), o dia começou sem os sorrisos, sem as brincadeiras, sem a alegria e sem o afeto de um grande companheiro. Hoje (ontem), um amigo partiu. Tenho certeza de que ele está viajando por lugares incríveis, cheios de muita luz e amor. Lugares onde os bons descansam e olham por nós”, diz um dos recados. Gilson trabalhava como copeiro no Beirute, na mesma quadra da Asa Norte.
Problema mecânicoO outro acidente fatal ocorreu às 6h30, na BR-020, entre Planaltina e Formosa (GO). Duas pessoas não resistiram após a Saveiro com placa de Goiás em que elas estavam colidir na traseira de uma carreta parada no acostamento da rodovia. O veículo menor pegou fogo. O condutor, Cláudio Almeida da Silva, 40 anos, e a mãe dele, Neusa Nunes da Silva, 59, morreram carbonizados.
Pedaços do carro acabaram arremessados ao longo da rodovia. Quando a PRF chegou ao local, o fogo havia destruído toda a Saveiro. “O motorista, provavelmente, dormiu ao volante ou perdeu o controle do veículo por conta de aquaplanagem. A pancada foi tão forte que não conseguimos recuperar nenhum documento que estava dentro do carro”, disse o inspetor da PRF José Roberto Hott.
Assustado, o motorista do caminhão do Piauí, Lucas dos Santos, 24 anos, contou que estacionou o veículo por volta das 6h, após um problema mecânico o impedir de continuar a viagem. “Eu deixei tudo sinalizado e peguei uma carona para ir até Formosa (GO), em busca de um mecânico. Quando voltei, já encontrei essa cena e as duas pessoas mortas dentro do carro”, detalhou. Lucas explicou que havia saído de Anápolis (GO) horas antes e seguiria para Bom Jesus, no Piauí. “A carreta tinha acabado de sair de uma revisão e estava descarregada. Ela é usada para fazer o transporte de soja no Piauí”, explicou o caminhoneiro.
A Saveiro estava cadastrada em uma empresa de cosméticos de Aparecida de Goiânia. “Entramos em contato com a empresa e fomos informados de que o Cláudio, dono da loja, foi quem saiu dirigindo o carro”, informou Hott. A reportagem tentou conversar com um representante do estabelecimento citado pela polícia, mas as ligações não foram atendidas. Segundo o policial, a documentação da carreta e a de Lucas dos Santos estão regulares. “Nesse caso, o motorista não teve culpa. Ele precisou parar no acostamento por problema mecânico”, explicou. A ocorrência do acidente foi registrada na 31ª Delegacia de Polícia (Planaltina).

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