A escolha do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, encerra uma disputa interna cujo principal concorrente era o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite. A retirada de Ratinho Júnior, governador do Paraná, da competição alterou a dinâmica dentro do partido.

Ronaldo Caiado foi selecionado pelo PSD para se candidatar à Presidência da República. O anúncio de sua pré-candidatura ocorrerá nesta segunda-feira, dia 30, solidificando um movimento que ganhou força após Ratinho Júnior desistir da disputa interna. A revelação será feita na sede do partido, localizada no centro de São Paulo, às 16 horas.

A escolha de Caiado é resultado de semanas de negociações nos bastidores, finalizando uma disputa interna que apresentava seu nome como concorrente ao de Eduardo Leite. Fontes consultadas pelo Estadão/Broadcast indicam que a desistência de Ratinho Jr. ajudou a reconfigurar o cenário no partido e favoreceu a ascensão do governador goiano como a principal alternativa.

Ratinho Júnior, que era visto como o preferido do presidente do partido, Gilberto Kassab, optou por não seguir na corrida eleitoral após refletir em conjunto com sua família e considerar os desafios políticos e pessoais, incluindo a questão de sua sucessão no Paraná. Relatos de pessoas próximas afirmam que o governador já demonstrava incertezas desde o final do ano anterior durante conversas com Kassab.

Com a saída do paranaense, os líderes do PSD passaram a crer que seria complicado contornar a candidatura de Caiado, especialmente depois de sua filiação ao partido, oficializada em março. De forma reservada, uma pessoa próxima à liderança do partido afirmou que seria difícil para o PSD se desvincular da candidatura dele.

Caiado conta com a seu favor sua experiência na política, tanto no Executivo quanto no Legislativo, além de sua associação a temas como segurança pública e agronegócio. Membros do conselho político do partido também destacam que o governador não tem intenção de se candidatar a outro cargo, como o Senado, concentrando seus esforços apenas no cargo de presidente.

Apesar da confirmação do nome de Caiado, a escolha não foi consensual. Alguns membros do partido apoiavam a indicação de Eduardo Leite, considerado uma alternativa mais alinhada ao centro político e com potencial para atrair eleitores além da polarização entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Pesquisas internas do PSD mostravam um desempenho similar entre os dois governadores, com uma ligeira vantagem para Caiado (4% para o goiano contra 3% do gaúcho, segundo levantamentos da Quaest e Datafolha). Mesmo assim, Kassab reforçou que as pesquisas não seriam o principal critério para a escolha.

O anúncio antecipado acontece próximo ao prazo para a desincompatibilização estipulado pela legislação eleitoral, o que levou o partido a apressar a definição para evitar prolongar a incerteza. A candidatura de Caiado ainda precisará ser ratificada na convenção do partido, programada para o meio do ano.

Até o momento, o PSD precisa aumentar suas negociações para a formação da chapa e possível estabelecimento de alianças. Neste instante, a tendência é que a chapa do partido seja composta somente por seus integrantes. Contudo, Kassab já declarou que o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), seria um “ótimo vice”. Por outro lado, Zema continua a apoiar sua pré-candidatura, afastando a possibilidade de ser vice de Flávio Bolsonaro.

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